Chuva de Balas e de Cidadania

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General Girão (*)

Transcorria o ano de 1927 e Mossoró, com mais de 20 mil habitantes, destacava-se como a mais expressiva e dinâmica cidade interiorana do Rio Grande do Norte. O parque salineiro, a agroindústria algodoeira, as peles e a cera de carnaúba impulsionavam a economia e atraíam a instalação de repartições públicas federais e estaduais, agências bancárias, escolas, jornais e lojas comerciais.

Tudo isso despertou a cobiça de Lampião, o grande terror dos sertões, o bandido mais temido de toda a história do Nordeste, que por onde passava deixava um rastro de destruição e terror. Após reunir expressivo contingente de bandidos e fazer refém o Coronel Antônio Gurgel — pessoa de posse e influente na cidade —, lançou um ultimatum ao prefeito Rodolfo Fernandes, exigindo vultuosa soma para livrar a cidade de um iminente e avassalador ataque.

O cangaceiro não contava, contudo, com a bravura e a altivez dos mossoroenses, que tomaram para si a defesa da cidade. Idosos, mulheres e crianças foram retirados, ao tempo em que voluntários de todas a classes sociais recebiam armas, montavam barricadas e ocupavam pontos estratégicos.

Por volta das 16 horas do dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, o temível bando de Lampião entrou em Mossoró e foi recebido com uma “chuva de balas”. A luta foi renhida e durou pouco tempo. Ao final, prevaleceu a coragem dos mossoroenses, impondo ao facínora cangaceiro a sua maior derrota.

Hoje, passados 93 anos, são outros os inimigos e os perigos. Não me refiro somente ao coronavírus e sua decorrente pandemia, que ceifa preciosas vidas em todo o mundo. Os potiguares, de modo geral, têm sido assolados por um governo estadual inepto, marcado pelo imobilismo e pela má gestão. Como decorrência, tem sido pífio o apoio da governadora à população de Mossoró, em meio à grave crise da Covid-19.

Trata-se de um novo cangaço, o cangaço destrutivo da improficiente administração pública estadual, que mata por omissão os cidadãos doentes e matará muitos mais pela destruição sistemática e proposital da economia, fazendo tudo para transformar nosso Estado em uma pequena Venezuela. Nossa convicção e esperança é que os bravos mossoroenses — descendentes daqueles que venceram o bando de Lampião — sabedores dessa conjuntura, aliem-se a todos os potiguares nessa nova luta.

Em 1927, Lampião e seu bando foram recebidos com uma “chuva de balas”. A partir de agora, o PT e seus aliados bandidos serão recebidos, nas próximas manifestações pela democracia e pelo Estado de Direito, com uma torrencial “chuva de cidadania consciente”, de modo a serem, para sempre, alijados da vida pública.

(*) Deputado Federal pelo Rio Grande do Norte.

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