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OPINIÃO: Fronteiras abertas e facções blindadas: a irresponsabilidade da defesa no governo Lula
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OPINIÃO: Fronteiras abertas e facções blindadas: a irresponsabilidade da defesa no governo Lula

23 de junho de 2026Ver no blog original

Por General Girão – Deputado Federal (PL-RN)

Recentemente, tive a satisfação de ler um artigo primoroso do brilhante doutor Marcos Degaut, ex-secretário especial adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência, intitulado “O mundo rearmado e a ilusão estratégica brasileira”. Com a precisão de quem conhece as entranhas da defesa e da geopolítica, Degaut expõe uma verdade incômoda: enquanto o planeta bate recordes históricos de gastos militares — ultrapassando os US$ 2,8 trilhões diante de um cenário de profunda insegurança estrutural —, o Brasil insiste em viver em um “pacifismo de aparências”. O autor é cirúrgico ao diagnosticar que as nossas elites perderam a capacidade de pensar geopoliticamente, tratando a defesa nacional como um gasto supérfluo e não como a espinha dorsal da nossa própria soberania.

Elogio a coragem e a lucidez de Degaut; seu texto deveria ser leitura obrigatória em Brasília.
Infelizmente, a realidade sob o terceiro mandato do governo Lula consegue ser ainda mais alarmante do que a teoria desenha. A “ilusão estratégica” criticada por Degaut não é apenas uma falha acadêmica de percepção; é uma política de Estado deliberada e destrutiva. O atual governo promove um verdadeiro desmonte institucional e orçamentário das nossas Forças Armadas, asfixiando os investimentos em modernização e tecnologia. A retração orçamentária é tão severa que a defesa brasileira viu seus recursos despencarem para a casa de 1,1% do PIB.

O reflexo prático dessa asfixia fiscalista e ideológica veio à tona de forma dramática há poucos dias. Cortes orçamentários severos e recentes impostos pelo Planalto obrigaram o Exército Brasileiro a paralisar operações cruciais de patrulhamento e monitoramento em nossas fronteiras. Em um país com dimensões continentais, deixar as nossas divisas desguarnecidas por falta de combustível, rancho e manutenção é um convite aberto ao crime organizado transnacional. É entregar as chaves das nossas portas para o tráfico de armas e drogas.

Essa fragilidade autoimposta nas fronteiras se conecta diretamente a outra teimosia inexplicável e perigosa deste governo: a recusa sistemática em classificar as grandes facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Enquanto o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) controlam territórios, sitiam cidades, impõem o terror a populações inteiras e executam agentes públicos e cidadãos de bem à luz do dia, o governo federal se esquiva de dar o nome correto ao monstro que nos devora.

Até mesmo os Estados Unidos, com uma visão estratégica muito mais apurada sobre as ameaças no nosso continente, já designaram o PCC e o CV como organizações criminosas transnacionais de alta periculosidade, aplicando sanções e congelamento de ativos. No Brasil, contudo, a leniência impera. A recusa em carimbar essas facções como terroristas impede que o Estado brasileiro utilize ferramentas de inteligência, leis de segurança nacional e o próprio emprego estratégico e robusto das Forças Armadas de forma cirúrgica para sufocar financeiramente e operacionalmente esses cartéis.

Como bem lembrou Degaut citando Raymond Aron, “a história é trágica e costuma punir os países que confundem estabilidade efêmera com garantias de paz”. Ao desarmar o país, cortar as verbas do Exército na fronteira e passar a mão na cabeça do crime organizado mudando a nomenclatura de suas atrocidades, o governo Lula não está apenas errando na gestão econômica. Está cometendo um crime de lesa-pátria, comprometendo o futuro da nossa soberania e deixando o povo brasileiro de peito aberto diante da barbárie. O telhado está ruindo, e Brasília continua fingindo que não há tempestade lá fora.

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