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Brigadeiro Cadu: ao bom combate, que venham!
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Brigadeiro Cadu: ao bom combate, que venham!

05 de setembro de 2026Ver no blog original

Por General Girão – Deputado Federal (PL-RN)

Algumas pessoas passam pela nossa vida. Outras passam a fazer parte dela.

O Brigadeiro Carlos Eduardo da Costa Almeida, nosso Cadu, pertence ao segundo grupo.

Neste 5 de setembro, completa-se um ano de sua partida.

Falar dele não é fácil porque a amizade nos impede de transformar uma história em simples sequência de cargos, datas e realizações. Cadu foi Brigadeiro da Força Aérea Brasileira, piloto de caça, comandou a Base Aérea de Natal e a Academia da Força Aérea, além de ter presidido a CODERN. Foi um militar preparado, um administrador competente e um homem que construiu uma relação muito forte com o Rio Grande do Norte.

Mas eu conheci muito mais do que o militar que carregava estrelas nos ombros.

Conheci o amigo.

Nós, militares, aprendemos cedo que determinadas amizades não precisam de grandes demonstrações. Elas se constroem na confiança, na lealdade e naquela certeza silenciosa de saber quem estará ao seu lado quando as circunstâncias ficarem difíceis.

Cadu era assim.

Nossa caminhada também se encontrou na política. Em 2018, quando muita coisa ainda estava começando, ele estava à frente do PSL no Rio Grande do Norte. Estivemos juntos numa época em que defender Jair Bolsonaro e aquelas ideias significava, muitas vezes, caminhar contra a corrente. Cadu participou daquela construção desde o início e esteve presente também na minha primeira campanha para deputado federal.

Ele acreditou naquela missão. E acreditou em mim.

Não digo isso agora por força da saudade. Disse quando ele ainda estava entre nós.

Em maio de 2025, durante uma sessão especial no Senado em homenagem à Aviação de Caça, fiz questão de registrar publicamente minha homenagem ao “amigo Brigadeiro Cadu, Carlos Eduardo, caçador exemplar, líder da minha atual missão como Deputado Federal”. Naquele momento, ele enfrentava o mais difícil dos combates: a luta pela própria vida.

Foi naquele pronunciamento que repeti uma frase que aprendi com ele:

“Ao bom combate; que venham!”

Essa frase traduz muito de Cadu.

Tem o espírito do caçador, a coragem diante dos desafios e a disposição de não fugir quando a missão exige firmeza. Nós dois sempre compreendemos que existem batalhas que precisam ser enfrentadas simplesmente porque são as batalhas certas.

Cadu levou esse espírito para além da Força Aérea.

Chegou a Natal ainda jovem, em 1984, para sua formação na Aviação de Caça, e criou uma relação com esta terra que atravessaria décadas. Aqui comandou a Base Aérea de Natal; mais tarde, já Brigadeiro, comandou a Academia da Força Aérea, ajudando a formar novas gerações de oficiais. Depois da carreira militar, continuou servindo ao assumir a presidência da CODERN.

Servir. Talvez essa palavra ajude a explicar muito de nossa amizade.

Quem passou décadas vestindo uma farda sabe que a reserva encerra uma etapa da carreira, mas não apaga aquilo que foi colocado dentro de nós. Permanecem a responsabilidade, a disciplina e o compromisso.

Cadu carregava tudo isso, mas havia nele também a humanidade que nem sempre aparece nas fotografias oficiais. O homem que conversava, brincava, aconselhava, discordava quando precisava e permanecia perto quando isso realmente importava.

A Bíblia, em Provérbios 17:17, nos lembra que “em todo tempo ama o amigo, e na angústia nasce o irmão”.

Talvez não pudesse haver passagem mais apropriada para este 5 de setembro, em que coincidentemente celebramos o Dia do Irmão. Cadu e eu não éramos irmãos de sangue, mas existem amizades que a vida, a confiança e as batalhas compartilhadas transformam em verdadeira irmandade. É assim que guardo sua lembrança: como a de um amigo que se fez irmão na caminhada.

Quando perdi meu amigo, perdi alguém que participou de uma parte decisiva da minha própria história. Mas a morte não leva aquilo que uma amizade verdadeira construiu. Permanecem os ensinamentos, as lembranças, as conversas e aquelas frases simples que, de repente, passam a nos acompanhar para sempre.

Há um belo texto, tradicionalmente atribuído a Santo Agostinho, que fala da morte não pelo olhar de quem ficou, mas pela perspectiva de quem já contempla aquilo que ainda não podemos ver. Em um de seus trechos, diz: “Se você conhecesse o mistério insondável do céu, onde me encontro…”. E mais adiante nos convida a pensar em quem partiu naquela “maravilhosa morada, onde não existe a morte”.

Gosto de pensar em Cadu assim.

Não preso à imagem da doença ou aos seus últimos dias, mas na plenitude. Livre das limitações da vida terrena, diante de horizontes que nós ainda não conseguimos enxergar. Tenho, pela fé, a segurança de que meu amigo está com Deus, em um lugar onde a dor do último combate já não existe e onde permanece apenas aquilo que é eterno.

Talvez por isso eu prefira lembrar do homem em pé.

Do piloto de caça.

Do comandante.

Do amigo.

Do irmão que a vida me deu.

Daquele que ajudou a abrir caminhos quando nossa caminhada política ainda começava e permaneceu presente depois que as urnas foram fechadas e as campanhas terminaram.

A saudade é nossa. A paz, tenho fé, é dele.

E há outra frase daquele mesmo texto que hoje ganha um significado especial para mim: “Nas suas lutas, pense nesta maravilhosa morada.”

É exatamente isso.

Às vezes, quando surge uma dificuldade e o caminho parece mais pesado, penso em Cadu. E consigo quase ouvir novamente sua voz:

“Ao bom combate; que venham!”

Então seguimos.

Porque aqueles que partiram depois de cumprir dignamente sua missão merecem mais do que nossas lágrimas. Merecem que os que ficaram honrem os valores pelos quais eles viveram e mantenham vivas as boas marcas que deixaram pelo caminho.

Meu amigo Cadu, onde estiver, receba mais uma vez minha continência, minha gratidão e minha saudade.

E, como termina aquele belo texto sobre a eternidade, quero acreditar que você também possa nos dizer:

“Eu estou em paz.”

Ao bom combate. Sempre.

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